Definição

 

O estudo das dificuldades na leitura e escrita, em geral, e da Dislexia, em particular, vem suscitando o interesse de (neuro)psicólogos, (neuro)pediatras, professores, terapeutas e outros profissionais da saúde e educação interessados na investigação dos fatores implicados no sucesso e/ou insucesso educativo. A Dislexia representa no momento atual um grave problema escolar, para a qual todos os profissionais da saúde e educação deverão estar consciencializados.

As competências de leitura e escrita são objetivos fundamentais de qualquer sistema educativo, pois constituem aquisições iniciais que funcionam como uma base para todas as restantes aprendizagens. Assim, uma criança com dificuldades acentuadas na leitura e escrita apresentará lacunas em todas as restantes áreas curriculares, o que provocará um desinteresse cada vez mais marcado por toda a aprendizagem e uma diminuição da sua autoestima.

A etiologia da Dislexia tem por base alterações genéticas, neurológicas e neurolinguísticas. Estudos genéticos recentes identificaram alguns cromossomas como estando associados à Dislexia, encontrando-se agora as investigações centradas na identificação dos genes implicados nesta perturbação. Encontram-se igualmente mapeadas as regiões do córtex cerebral responsáveis pelas alterações disléxicas. Essas regiões localizam-se no hemisfério esquerdo (lobo temporal, occipital e parietal).

Existem várias definições para a esta perturbação neurodesenvolvimental. Atualmente a definição mais consensual é a proposta pela Associação Internacional de Dislexia (2002) e o National Institute of Child Health and Human Development – NICHD:

“Dyslexia is a specific learning disability that is neurological in origin. It is characterized by difficulties with accurate and / or fluent word recognition and by poor spelling and decoding abilities. These difficulties typically result from a deficit in the phonological component of language that is often unexpected in relation to other cognitive abilities and the provision of effective classroom instruction. Secondary consequences may include problems in reading comprehension and reduced reading experience that can impede growth of vocabulary and background knowledge. … Studies show that individuals with dyslexia process information in a different area of the brain than do non-dyslexics.”

World Federation of Neurology define-a como uma perturbação que se manifesta pela dificuldade na aprendizagem da leitura, apesar de uma educação convencional, uma adequada inteligência e oportunidades sócio-culturais.

Outra definição, surge do Comittee on Dyslexia of the Health Council of the Netherlands, segundo este comité a Dislexia está presente quando a automatização da identificação das palavras (leitura) e/ou da escrita de palavras não se desenvolve, ou se desenvolve de uma forma muito incompleta, ou com grande dificuldade.

A dificuldade em ler e escrever por parte destas crianças tem sido (muitas vezes!) erradamente interpretada como um sinal de baixa capacidade intelectual. Muito pelo contrário, muitas crianças disléxicas poderão conseguir em certas áreas e em certos momentos da sua atividade, um desempenho superior à média do seu grupo etário. A Dislexia só poderá ser diagnosticada em crianças que apresentem pelo menos um funcionamento intelectual dentro dos parâmetros normativos.

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